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Música

Canções de Amor e Morte (2006)

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Bruno produziu os vocais do disco, além de ser co-autor na faixa Depois do Temporal

Release

CANÇÕES DE AMOR E MORTE

Quando Ponce-de-Leon buscou a fonte da juventude certamente não imaginava o que aconteceria se vivesse eternamente sem amor. Se em Coríntios (ou Monte Castelo como alguns preferem), "sem amor nada seríamos", o que é o mundo de hoje? Nada? Vinicius de Morais sugeriu: que seja eterno enquanto dure, certo de que tudo tem um fim. Somos perecíveis, não há como negar. Não somente a carne, nossos sentimentos também. Alegria, Raiva, Rancor, Ódio, Compaixão, todos são como freqüencias captadas por nossa alma, que vem e vão, estacionam, passeiam como Saturno por nossas cabeças. O amor é como um bonde que algumas vezes te pega, outras te atropela, mas tem ponto final.

Canções de Amor e morte é o novo disco da banda carioca Uns e Outros, o quinto de sua carreira iniciada há 20 anos. Nas doze verídicas histórias que o compõe, Marcelo Hayenna (vocal), Nilo Nunes (guitarra), os irmãos André e Zarmo Manieri (guitarra e bateria) e André Agrizzi (baixo) fazem referência e reverências ao amor - do seu início ao fatídico adeus. Mesmo o começo é tratado como uma forma de se enterrar o amor anterior. Sem opor resistência, singram pelo destino na nau dos versos de cada canção. Se juntarmos cada tema, como peças de um quebra-cabeça poderemos chegar a todas as etapas de um relacionamento, que certamente já foi parecido com o nosso.

Um Dia de Cada Vez, é uma novela britpop de um capítulo apenas, um quadro tirado de tantas famílias e que mostra o Uns e Outros trabalhando mais os riffs de guitarra e os vocais. A guitarra marcante de Nilo abre Eu Matei O Amor, rock que não apresenta Marcelo como um carrasco, mas misericordiamente praticando a eutanásia diante de um mundo sem compaixão. Depois do Temporal, suaviza em seus versos as longas discussões de relação em uma noite sem fim numa parceria de Nilo e Marcelo com Bruno Gouveia, do Biquini Cavadão, que ainda assina a produção dos arranjos vocais. Em uma surpreendente versão, O Uns e Outros regrava Dia Branco de Geraldo Azevedo e transforma a declaração de amor de sua letra em súplica. Tão Longe do Fim, que chegou a ser o título de seu disco anterior, aparece finalmente em disco. A música passou por diversos arranjos ao longo dos últimos dez anos e finalmente fez o seu debut na versão definitiva pra banda. Você me Faz Mal, escrita por Hayenna após ver a natural timidez adolescente de seu filho, é crua, ingênua como os sentimentos mais simples que temos ao sentir o amor pela primeira vez. O disco fecha com O Homem Invisível, uma elegia à indigência, muitas vezes fruto de um amor perdido, e Pra Cada Amor um Adeus, instrumental raivoso como uma despedida de bater de portas.

O disco foi todo gravado e produzido por Marcelo e Nilo Nunes no pequeno estúdio Eletra, e mixado no Mega Estúdios do Rio por Marcio Gama. Se a moda dos anos 80 continua em voga ou não, pouco interessa ao Uns e Outros. Seu disco não busca nada de retrô, nenhuma viagem ao passado. Marcelo Hayenna acende um cigarro, o olhar parece buscar algo na esquina do futuro que deseja ver e respira fundo. O disco coincidiu com o fim de um longo relacionamento. Entretanto, as músicas de Canções de Amor e Morte não foram feitas após e sim antes de seu casamento ruir. Ironicamente, todas as músicas acabaram se encaixando com o que viveu. O lançamento deste disco apontará novos caminhos para o Uns e Outros e selará um ciclo de músicas que ilustraram seu próprio amor e sua quase morte - certeza esta a que todos nós estamos sujeitos. Ouça e Reflita.

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